28 de maio de 2012

Marcha das Vadias 2012: Do feminismo e a resistência a esta ideia



Neste sábado, dia 26 de maio, foi dia da Marcha das Vadias em várias capitais do Brasil. Estive mais uma vez por lá, já na concentração em frente ao Conic, produzindo meu cartaz. Nesse ano quis contribuir com um grito de guerra e meu estandarte já tinha rima e tudo: Não deixe o falo falar, vem vamô juntos gozar. Um garoto de uns 18-19 anos chegou em mim e perguntou o que seria o falo. Dei a explicação mais didática possível: Oras, você tem um no meio das pernas! Ele chegou a comentar que nem todos conseguiriam compreender o que seria a intenção do meu cartaz, mas o adverti que não haveria problema algum, era só chegar que rolaria o diálogo, feminismo é (re)educação. Cheguei a pedir pras meninas entoarem minha rima, consegui um canto original e serelepe para a marcha do DF por alguns instantes, mas houve certa resistência e elas logo voltaram para os mais famosos. Arrogância minha, a festa era delas. Seguimos então caminhando pelo eixo monumental.

O que me chamou atenção neste ano foi o tipo de resistência que enfrentamos. Logo no início uma corneta soou e uma confusão se iniciou. Na frente com o megafone a explicação que ia sendo replicada como microfone humano: Um homem se masturbara ali ao lado, em praça pública, para as meninas. Foi indicado que sempre que aquela corneta fosse soada seria nosso alerta. Até antes da chuva que dispersou a marcha já havia a ouvido por quatro vezes. Na última o confronto foi maior e houve voz de prisão ao opressor.

A jornalista Luka Franca teve problemas com o Facebook por adicionar esta foto.
Com receio de me repetir, fiz a leitura do texto que produzi ano passado, a resistência era basicamente a mesma. No entanto, como me aprofundei nos estudos e leituras sobre o tema, percebo que posso tentar aprofundar mais a análise (ou não, pois é mais do mesmo): Trata-se da caretice e conservadorismo de sempre.

 Muitos vão dizer como primeiro argumento: Não é com estereótipos de vagabundas e peitos de fora que vai se ganhar respeito. Ora, a Marcha é descontraída enquanto celebração. Ninguém vai lá apenas para lamentar as baixas pelo machismo, muito mais para celebrar a sua liberdade e pedir o básico respeito que todo ser humano carece, incluso vagabas, biscates, gays, transsexuais etc. Por quê os seios de fora são um espanto entre feministas e no carnaval é tão comum quanto condenar a vítima do estupro? Isso é coisa que tem de se mudar. O corpo feminino é lindo e jamais julgaria uma mulher por naquele momento de festa ter decido se despir. E quem fez este erro certamente não concebe a mesma liberdade ou autoconhecimento sobre seu corpo e sexualidade para se livrar das roupas e demais amarras. Isso não tira a seriedade da marcha, pelo contrário, é exatamente seu apogeu. Também é o ponto mais alto da caretice de quem foi e esperava um comportamento apropriado das mulheres que lutavam por seus direitos. E quando são mulheres que falam isso... soa quase assim: pera lá, suas biscate! a gente acabou de se submeter ao patriarcado e suas regras, tamô aqui na boa segurando a corda e vocês vem com essa baderna, vacas do inferno! Sim, há muito comodismo fora do feminismo.
Minha companheira de marcha deste ano foi a queridíssima amiga Danielli Viana. Foto por João Viana

O segundo argumento é: há lutas mais sérias, nosso país está corrompido pela tal corrupção enquanto os seios estão à mostra. Mãos a obra, meu caro! Tá esperando o que? A luta das mulheres não é uma causa menor e, no fim, todas as batalhas por um mundo com justiça social e liberdade estão abraçadas.  Todos sabemos que o machismo é a capitalização do amor-sexo e em uma sociedade desigual em que muitos são oprimidos por uma minoria que comanda ideologicamente, o sofrimento da mulher é um subproduto da objetificação, do outro enquanto possessão e do não compartilhamento das relações. O debate trata das relações humanas em si e de como nos percebemos enquanto sociedade, em várias esferas do pensamento-ação. Sim, há muito o que se aprender com o feminismo.

O terceiro argumento é: O radicalismo do feminismo não comunica. Sim, desde a antiguidade as mulheres souberam sacudir as estruturas do mundo falocêntrico, mas os machos sempre deram um jeito de silencia-las. Todo machão aliás sonha com um feminismo dócil em que seja fácil de contra-atacar, mas não tem rolado isso ainda porque há vários tipos de traumas e vários tipos de agressão às nossas mulheres. Parte deste argumento, porém, é relativamente válido. Se o feminismo pretende se instalar como uma contracultura deve ser muito bem debatido e pensado, do contrário pode se cair no mesmo erro de automatismo do machismo e há a postura de algumas feministas que começam a enveredar por caminhos que fariam Simone de Beauvoir tremer sua ossada. Como diz Lélia Almeida no texto A terra é má, “feminismo tem a ver com autonomia, solidariedade e coisas há muito esquecidas, e, principalmente, com espírito crítico e autonomia de pensamento”. Sim, há muito conformismo dentro do feminismo.

Sementes no futuro

Todas as desculpas são reacionárias. As vadias estão aí para nos questionarmos o quanto ainda possuímos pensamentos retrógrados que nos foram impostos historicamente por equívocos dos nossos antepassados. A marcha é um gesto comunicativo, muitas vezes o problema está nos olhos de quem vê – muitas interpretações apenas apontam tabus e preconceitos internos. A hipocrisia é por vezes falta de entendimento e o movimento tá aí pra ensinar, mas principalmente pra lutar contra a violência e a desigualdade e para lançar sementes na próxima geração. Mas sobre os seios, parece que no automatismo do cotidiano vamos todos nos esquecendo de nos comunicar com o corpo, nos tornando assexuais, matando a libido e a pulsação que nos diz que estamos vivos. Na boa? Sem pessimismo, quanto mais incomodar melhor.

5 de março de 2012

Pára de ficar rezando e batendo o peito! 
O que eu quero que faças é que saias pelo mundo e desfrutes de tua vida. 
Eu quero que gozes, cantes, te divirtas e que desfrutes de tudo o que eu fiz para ti.
Pára de ir a esses templos lúgubres, obscuros e frios que tu mesmo construíste e que acreditas ser a minha casa. 
Minha casa está nas montanhas, nos bosques, nos rios, nos lagos, nas praias. 
Aí é onde eu vivo e aí expresso meu amor por ti.
Pára de me culpar da tua vida miserável: eu nunca te disse que há algo mau em ti ou que eras um pecador, ou que tua sexualidade fosse algo mau. 
O sexo é um presente que eu te dei e com o qual podes expressar teu amor, teu êxtase, tua alegria. Assim, não me culpes por tudo o que te fizeram crer.
Pára de ficar lendo supostas escrituras sagradas que nada têm a ver comigo. 
Se não podes me ler num amanhecer, numa paisagem, no olhar de teus amigos, nos olhos de teu filhinho…, não me encontrarás em nenhum livro!
Confia em mim e deixa de me pedir. 
Tu vais me dizer como fazer meu trabalho? 
Pára de ter tanto medo de mim. 
Eu não te julgo, nem te critico, nem me irrito, nem te incomodo, nem te castigo. 
Eu sou puro amor. Pára de me pedir perdão. Não há nada a perdoar.
Se eu te fiz, eu te enchi de paixões, de limitações, de prazeres, de sentimentos, de necessidades, de incoerências, de livre-arbítrio. 
Como posso te culpar se respondes a algo que eu pus em ti? 
Como posso te castigar por seres como és, se eu sou quem te fez?
Crês que eu poderia criar um lugar para queimar a todos meus filhos que não se comportem bem, pelo resto da eternidade? Que tipo de Deus pode fazer isso?
Esquece qualquer tipo de mandamento, qualquer tipo de lei; essas são artimanhas para te manipular, para te controlar, que só geram culpa em ti.
Respeita teu próximo e não faças o que não queiras para ti. 
A única coisa que te peço é que prestes atenção a tua vida, que teu estado de alerta seja teu guia.
Esta vida não é uma prova, nem um degrau, nem um passo no caminho, nem um ensaio, nem um prelúdio para o paraíso. 
Esta vida é o único que há aqui e agora, e o único que precisas.
Eu te fiz absolutamente livre. Não há prêmios nem castigos. Não há pecados nem virtudes.
Ninguém leva um placar. Ninguém leva um registro. Tu és absolutamente livre para fazer da tua vida um céu ou um inferno.
Não te poderia dizer se há algo depois desta vida, mas posso te dar um conselho. 
Vive como se não o houvesse, como se esta fosse tua única oportunidade de aproveitar, de amar, de existir. 
Assim, se não há nada, terás aproveitado da oportunidade que te dei.
E se houver, tem certeza que Eu não vou te perguntar se foste comportado ou não. 
Eu vou te perguntar se tu gostaste, se te divertiste… Do que mais gostaste? O que aprendeste?
Pára de crer em mim – crer é supor, adivinhar, imaginar. Eu não quero que acredites em mim. Quero que me sintas em ti. Quero que me sintas em ti quando beijas tua amada, quando agasalhas tua filhinha, quando acaricias teu cachorro, quando tomas banho no mar.
Pára de louvar-me! Que tipo de Deus ególatra tu acreditas que Eu seja?Me aborrece que me louvem. Me cansa que agradeçam. Tu te sentes grato? Demonstra-o cuidando de ti, de tua saúde, de tuas relações, do mundo. Te sentes olhado, surpreendido?… Expressa tua alegria! Esse é o jeito de me louvar.
Pára de complicar as coisas e de repetir como papagaio o que te ensinaram sobre mim. 
A única certeza é que tu estás aqui, que estás vivo, e que este mundo está cheio de maravilhas.
Para que precisas de mais milagres? Para que tantas explicações? Não me procures fora! Não me acharás. 
Procura-me dentro… Aí é que estou batendo dentro de ti.

Baruch Spinoza

21 de janeiro de 2012

A SOPA indigesta e o caldo entornando

Nesta semana toda a indústria do copyright deu um ultimato ao Senado norte-americano e foi o início do contra-ataque do império (que não faz cultura, mas cifras) para todos os usuários do mundo que fizeram do ato de compartilhar arquivos e informações uma rede livre de conhecimento e subjetividades, ou a internet como conhecemos até hoje. Estúdios hollywoodianos, gravadoras e o restante do lobby do copyright são favoráveis ao fim da época de ouro da internet (época que vivemos e criamos juntos) para poder pensar nos milhões que perderam desde que as modalidades de compartilhamento passaram a fazer mais sucesso. Na era da informação, é proibido compartilhar? Que SOPA é essa? Há uma grave contradição aqui.

Em nome de uma noção anacrônica de leis de direitos autorais, a indústria do entretenimento não deixa de pensar, de forma rancorosa, nos milhões que deixou de perder, e é exatamente isso que estão alegando. Para tanto, conseguiram aprovação judicial norte-americana para poder derrubar sites sem mandado judicial e também prender qualquer cidadão dono do domínio: O FBI ordenou à polícia neo-zelandesa a prisão de sete pessoas ligadas ao site de compartilhamento de arquivos MegaUpload. Entre os indiciados há neo-zelandeses, alemães, um estoniano, um eslovaco e um holandês, o que fere ao padrão do Direito Internacional e faz a lei de quem pagou mais vigorar. Ações fascistas e você me falando em propriedade intelectual? Há um precedente assustador aqui.

Compartilhar é quase amor!

A internet já é um Direito nosso! Ela varreu suas leis de direitos autorais para um passado que não pode voltar da tumba. A cada compartilhamento mostrávamos que era possível unir forças pelo comum, uma noção de rede, de comunidade, que há muito não se ouvia falar. Por fim, a internet mudou o jeito que a sociedade pensa a cultura. No entanto, ao invés de se debater sobre estas questões a proibição, a lei imutável estampada e o cassetete. Ora, Leis caducam, há uma subjetividade nelas em que a prática objetiva rompe completamente, obrigando a um revisionismo. O SOPA é um retrocesso histórico e contradiz toda a evolução que veio dessa geração de avanços na tecnologia. Sem nossa reação os piores pesadelos da literatura cyberpunk tornariam-se possíveis. Hugo Albuquerque definiu assim o SOPA: 

"...um projeto de lei que tramita no Senado americano, bancado pelo lobby da indústria do copyright, que simplesmente quer cercear a liberdade na rede, as trocas de arquivos, tudo fichado e proibido em nome da luta antipirataria. Para se ter ideia da gravidade do assunto, amanhã vão parar suas atividades este Facebook, o Google e a Wikipedia naquilo que tem grandes chances de ser o evento da década que mal começou. Isso esquenta mais ainda o debate sobre o comum: até que ponto podemos tolerar que o parasitismo do direito autoral prepondere sobre a necessidade de produzir mais e melhor numa sociedade fundada mais e mais no conhecimento?"
Precisamos nós da indústria do entretenimento depois da internet? Não é o contrário? Hoje já é possível entrar em contato com canais de produção independente que não necessitam veicular pelo mainstream, mas isso é outra pauta. O que comemoramos foi a imensa adoção que recebeu a campanha StopSOPA e a grande cyberguerra que o grupo Anonymous iniciou. Sites de vários grupos do entretenimento, FBI e do governo americano foram derrubados. E a reação esmagadora foi uma vitória, pois muitos senadores americanos estão repensando sua posição quanto ao projeto. Parece que é esse o grande passo para que muitos se libertem dos grilhões e milhões discursaram de forma entusiástica sobre liberdade e contra as medidas agressivas que foram tomadas pelos favoráveis ao SOPA. A força foi tamanha e certamente vamos observar um recuo leve da STOP/PIPA, mas não seu fim.

Mas agora muitos estão ligados sobre o que é o fascismo na figura do democrata com suas leis que possuem um preço pago pelas indústrias e grupos que representam apenas 1%. Sendo assim, voltamos às ruas, a pauta é política e o assunto não é mais nossa vida privada, nossa internet, mas o tempo em que vivemos e o que é a Democracia atualmente. 

Mais uma vitória nossa é observar a resposta geral: são multidões agindo de modo autônomo em campanhas organizadas diretamente pelos envolvidos, fazendo uma espécie de auto-representação pelo discurso e prática. Bom, Democracia é isso, ao melhor estilo Guy Fawkes. Mas não é só downloads, gratuidade e direito de compartilhamento que estamos tratando aqui. Vamos seguir de olhos bem abertos!
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Indico a leitura de:
A polícia a serviço do copyright e a ciberguerra do Anonymous por Idelber Avelar;
#StopSOPA: hipóteses sobre a luta pela internet livre excelente análise no Outras Palavras; e
''EUA farão do combate à pirataria a nova guerra às drogas'' pelo sociólogo Sérgio Amadeu da Silveira

11 de janeiro de 2012

Gay - Pedra de salvação

Ouvi rumores de que o nosso querido Papa Bento XVI declarou que a união de pessoas do mesmo sexo, põe a humanidade em risco. Mas quem mais põem em risco a humanidade senão ela mesma?

Muitos são os debates e polêmicas quanto ao assunto, alguns ainda ampliam os ecos levantando fantasmas, como Jean Willlys, que acusa o Papa de encobrir casos de pedofilia, declarando-o genocida. Certo está o deputado, pois o cinismo que mascara a religião pega até gente que se diz inteligente. Não sei da importância que esse pontífice da Igreja Católica ainda tem no mundo (no meu foi completamente excomungado), mas estamos longe de alcançar um ideal de tolerância e laicismo. Se um líder tem a falta de compaixão de proferir tal afirmativa de forma irresponsável e inconsequente, mais fácil esperar que seu rebanho engula ao invés de cuspir.

O moralismo religioso prega um ideal de mansidão e humildade, que só pode ser rompido quando algo atinge a estética do mundo interior, o que aciona o lobo da alma aniquilada. Sendo assim, um homem pacato, mas completamente intolerante e intransigente e que pode se transformar no discurso-homofóbico-estrelado-na-paulista ou diaramente-nas-piadas-e-esquinas.

Porém, o avesso da frase de Bento XVI, a união de pessoas do mesmo sexo se opõe a humanidade em risco. Não é mais crescei-vos e multiplicai-vos enquanto espécie. Quem precisa de mais humanos? Já estamos em 7 bilhões, as estatísticas apontam um futuro de inchaço e terror (assim como em qualquer outra gaiola, muitos da mesma espécie juntos é nível altíssimo de estresse). Contra o apocalipse das gentes, crescei-vos e multiplicai amor, repaginado em modo queer. Só o amor (des)constrói barreiras. Tudo que precisamos é amor, a grande lição que mostra que orientação é menor.

30 de dezembro de 2011

2011 - A fagulha militante da década



A Time retratou bem este ano ao elencar “o manifestante” na sua tradicional eleição de “pessoa do ano”. Será que essa é uma estratégia para tornar aceitável e maleável essa figura? Será que é mais um nincho a ser alcançado pela lógica sistêmica? Não importa, esse foi mesmo um ano histórico! O ano em que os caminhos começaram a ser traçados. Estamos de fato em um período de transição. Para onde vamos, só o caminho apresentará. Esperamos muito e foram precisas crises e o fim de grande parte da esperança para insurgir alguns dos primeiros indignados que tomaram as ruas. Mas aqui estamos.

As esquerdas se perderam nesse processo, de tão anacrônicas que são, e muitos criticaram ou não souberam acompanhar parte destes movimentos gerais que ocorreram pelo mundo. Em parte porque essas novas mobilizações e militâncias políticas, por causas historicamente pertencentes às esquerdas, estão sendo feitas sem qualquer referência a elas, mas até mesmo em oposição a elas. Embora tenha levantado um tom forte de anarquismo no bom sentido do termo , elas promoveram um apartidarismo militante. Isto não pode deixar de nos colocar em profunda reflexão.

Os alvos destes indignados eram premissas básicas como liberdade, dignidade e uma real democracia. Afinal, eles não precisam de slogan, mas sim de consciência. E isso também vem só com o tempo e com muitas lutas.

Ninguém quer mais a velha lógica de guerra que faz do mundo um tabuleiro para novas guerras, ninguém quer mais um sistema financeiro que te aprisiona com o crédito ilusório e a acaba consumindo pessoas, ninguém mais quer um sufrágio universal ritualístico como o nome de 'democracia', para depois encontrar as portas fechadas para a representação da população e o dar de ombros para esta na hora de pagar as contas da eleição, se aliando ao capital para fortalecer uma 'democradura' unilateral e manejada por tecnocratas sem piedade. Ninguém quer mais o obscurantismo de outros tempos, contrários a diversidade e favoráveis a premissas que não condizem mais com o avançar do passo da humanidade. Ninguém quer mais ser voluntariamente escravo num mundo tão belo e com infinitas possibilidades.

Parabéns a todos os corações que se encontram para a luta neste ano. Foi mesmo o ano destes bravos! Que 2012 venha com força redobrada para quem não quer dobrar mais os joelhos. Que todas as lutas que se seguirão sejam para que o mundo perceba que só com o comum é possível reinventar nossa trajetória.



TUNÍSIA: O início da conhecida Revolução dos Jasmins, aconteceu após suicídio de Mohamed Bouazizi  e destronou o governo de Ben Ali (foto: Marcovdz/Flickr)

EGITO:  Praça Tahrir lotada pela emancipação do povo egípcio - das mais inspiradoras  (foto: Mohammed Abed/Getty Images)

IÊMEN: contra governo ditatorial de Ali Abdullah (foto: (AP / Muhammed Muheisen)

SÍRIA: Contra o governo de Bashar al-Assad - das repressões mais violentas (foto: AP)

LÍBIA: Protestos, invasão, guerra e uma dilema político após morte de Kadaffi
UK: contra cortes feitos pelo governo (foto: MadAdminSkillz)

ESPANHA: contra o sistema político e financeiro - das mais relevantes ocupações europeias

GRÉCIA: contra medidas de austeridade do governo (foto: John Kolesidis/Reuters)

EUA: Occupy Wall Street - das mais badaladas e mais promissoras (foto: Andrew Burton/AP)

CHILE: contra sistema educacional - das mais empolgantes (foto: AP)

BRASIL: contra Belo Monte (foto: Reinaldo Marques/Terra)


(...)


 

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9 de novembro de 2011

Noroeste contra o Santuário dos Pajés

Hoje retornam as obras que levantam o Noroeste em Brasília. Com autorização judicial assinada por José Maurício da Silveira e Silva, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, está liberado o artifício da força para as manifestações contrárias a derrubada da dignidade dos povos indígenas da região, como os da etnia Fulni-Ô, que rejeitaram todas as indecorosas propostas que a Companhia Imobiliária de Brasília, a empresa Terracap, tem oferecido aos moradores do espaço do Santúario dos Pajés, que também está sendo ameaçado pela lógica da cidade capitalista e a especulação imobiliária que tem tornado nossa Capital cada vez mais complexa e desigual.

Paulo Octávio é a figura maior deste panorama e tem conseguido grandes êxitos para a construção civil, e a consequente especulação imobiliária, principalmente após se infiltrar de vez na Política, chegando em 2006 ao posto de vice-governador, no governo de José Roberto Arruda. Este mandato foi o ápice da estratégia do lobby irresponsável que culminou na ideia de uma Ecovila, utilizando a grande falácia da sustentabilidade para alimentar as vontades do mercado, uma vez que não há necessidade alguma da construção deste novo setor habitacional.

O Noroeste só tem a função de enriquecer as construtoras e os demais empresários que fazem dinheiro tripudiando da herança indígena, além de fazer com que uma possível bolha imobiliária possa afligir toda a população, aumentando os custos de vida da cidade e, em efeito dominó, atingir tudo que está em volta sem medidas, como também a área verde do cerrado, que terá seu bioma fortemente afetado. Não acaba por aqui o desabafo.

Falta punho político, uma vez que os representantes políticos e jurídicos estão todos de mãos atadas pela força do empresariado com seu insaciável apetite. A cidade precisa ser repensada dentro de seus limites, não necessita de novas construções com base apenas na possibilidade de crescimento e investimentos que em nada se relacionam com a população, mas a afetará diretamente, e de forma negativa.

Falta respeito aos indígenas, principalmente. O Noroeste é uma mini Belo Monte, já iniciada, um reflexo de como a história deles é vista pelo branco entre o folclore e o motejo. Uma parte desinformada da população aprova o progresso que não verão com a construção desta ecovila para alta burguesia e escarnecem as etnias indígenas que lá vivem, sem conhecer seu legado e sua história de mais de quatro décadas na região. 

Monumento em memória a Galdino
E o homem branco se perde em seus rituais clamando por uma ilusória continuidade da força progressista, do crescimento da qualidade de suas técnicas em acumular riquezas, consideram os que são atacados inferiores e entendem que estes podem ser relegados a outros espaços ou ao ostracismo, de preferência. E ai de quem se manifestar! Cara pálida usa cacetete e toda a truculência de um estado desesperado para satisfazer as vontades do empresariado, que fomenta a tão gloriosa iniciativa privada .

Brasília, a Capital da Esperança, já queimou vivo um Galdino. Agora tem papel assinado, policial armado e trator ligado pra derrubar seu Cerrado e toda espiritualidade da terra representada pelo Santuário dos Pajés. Até quando resiste o índio brasileiro? Até quando vai ser atacado por ser inocente?

O Santuário não se move!